Sabe aquele livro que você fura a fila de todos os outros só por causa de um detalhe irresistível? Para mim, Amar é Relativo, da Sophie Kinsella, foi exatamente assim.
O motivo? Dois, na verdade…
É um livro da Sophie e tem um cachorro na história!
Um livro engraçadinho e água com açúcar tendo um cachorro como um dos protagonistas me pareceu imperdível, então ele furou a fila de todos os outros da Bienal 2024.

O enredo: O que acontece quando a bolha do retiro estoura?
A história nos apresenta Ava, que decide participar de um retiro para escritores na Itália com uma regra curiosa: ninguém pode usar o próprio nome real nem falar sobre sua vida pessoal.
Lá, ela conhece o “Holandês”. Sob pseudônimos e sem nenhuma bagagem do mundo exterior, os dois se apaixonam perdidamente.
Ava sai do retiro convencida de que encontrou o amor da sua vida e que as diferenças do “mundo real” não importariam.
Porém, quando a bolha estoura e eles aterrissam em Londres, ela descobre que a realidade é bem mais complicada do que o sonho no mosteiro italiano.
A escrita fluida e o ritmo de Sophie
Eu gosto muito dos livros da Sophie para quando quero só relaxar a mente. Eles não tem muita complexidade, a escrita é gostosa e fluída, costumam ter bastante diálogos e geralmente são engraçadinhos.

“Amar é Relativo” começou assim. Logo na primeira página a escrita já me cativou, e de início eu me identifiquei muito com a Ava, com ansiedade de separação do seu cachorro, querendo desempacar seu projeto de escrita, indo pra um retiro curioso na Itália. Parecia promissor e interessante!
As cenas do retiro são bem legais, a descrição do mosteiro, as atividades dinâmicas do grupo, a ideia de deixar o seu “eu” de fora e focar na escrita.
O romance, que começa ali, também é interessante no início, até porque tudo dá muito certo muito rápido, então a gente já fica se perguntando onde vem o problema.
Esse, pra mim, foi o acerto do livro. A gente não lê ele todo pro negócio se desenvolver lá pro final, pelo contrário, acontece tudo muito rápido, e a manutenção disso se dá no dia a dia, na rotina, convivendo com as diferenças.
Mas se esse é o ponto alto do livro, o ponto baixíssimo, infelizmente, é a personagem narradora.
Ava e a protagonista “insuportável”
Se eu havia me identificado com Ava no primeiro capítulo, conforme eles se passam, a personalidade dela se revela insuportável.
A personagem é infantil, chata e meio mimadinha. Tenho a impressão de que Sophie tenta fazer ela soar engraçada, mas na maioria das vezes, ela soa só muito irritante.
Durante muitas páginas me perguntei porque Matt gostava dela, afinal, e olha que Matt não é lá um personagem muito cativante também.
Imaturidade aos 30
Aqui, na minha opinião, Sophie Kinsella erra, porque ela desenvolve dois personagens que já passaram dos 30, aliás, Matt é descrito como “com trinta e muitos”, e mesmo assim ele é totalmente manipulado e submisso à família, sem tanta postura, e Ava é extremamente infantil e bobinha.
A realidade dela não condiz de forma alguma com a de uma mulher de mais de 30 anos.
Até o cachorro Harold sofreu?
Não só Ava, como as amigas dela também eram chatíssimas em boa parte das cenas, caricatas, enjoadas, tentando arrumar confusão com todo mundo o tempo todo pra “defender umas às outras”.
Sério, Ava consegue ser tão chata que até o Harold, o cachorro que me fez querer ler o livro, fica meio chatinho as vezes.

O cachorro!!!! Isso jamais me aconteceu na vida!
Tem certas coisas que eu gostaria que tivessem sido melhor desenvolvidas, como o grupo do retiro, a parte familiar de Matt, entre outros detalhes, por exemplo, a aparição de Sarah no final… Com que contexto? Com que propósito?
Amar é Relativo vale a pena?
Apesar de muitas falhas e de uma protagonista fraquíssima dentre outras da Sophie Kinsella, “Amar é Relativo” é um livro gostoso de ler, ele flui depressa, apesar de grande.
Indico para quem gosta da autora e quer um passatempo interessante, mas já aviso pra não ir com altas expectativas!
E você, tem algum livro favorito da autora ou do gênero? Deixa a dica nos comentários!
Ficha técnica de “Amar é Relativo – Sophie Kinsella”
| Categoria | Detalhes de “Amar é Relativo” |
| Autora | Sophie Kinsella |
| Gênero | Chick-lit / Comédia Romântica |
| Protagonistas | Ava, Matt e Harold (o cachorro) |
| Ambientação | Itália (Retiro) e Londres |
| Vibe | Leitura relaxante e “água com açúcar” |
FAQ de “Amar é Relativo – Sophie Kinsella”
“Amar é Relativo” é uma série ou livro único?
É um livro único (standalone), com início, meio e fim, focado na história de Ava e Matt.
Qual o tom do livro?
É uma comédia romântica clássica, com foco em diálogos, situações cotidianas e um toque de humor britânico.
O cachorro Harold realmente aparece muito?
Sim, o pet é um dos motivos centrais para a protagonista e tem participação ativa na história.
Preciso ter lido outros livros da Sophie Kinsella antes?
Não. Embora a autora tenha séries famosas, este livro é uma história independente.
É um livro indicado para qual idade?
É indicado para o público adulto que gosta de literatura contemporânea leve (Chick-lit).

Autora do livros “Antes de Dizer Adeus” e “No Silêncio dos Seus Olhos”, Sté está, atualmente cursando a faculdade de jornalismo. É uma Paulista que ama livros, animais, viagens e é fã de dias frios e chuvosos.

